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SÁBADO | 30 DE MAIO DE 2009 | 08:18
Implantação de sistemas de pastejo rotacionado
 
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Octávio Ferreira da Rosa Filho e Rogério Marchiori Coan
Coan Consultoria
coanconsultoria@coanconsultoria.com.br
 

Um bom sistema de pastejo consiste na combinação harmônica dos elementos que compõem este sistema: planta, animal, solo e outros componentes ambientais, como chuva e temperatura que irão garantir o suprimento dos animais ali alocados e a permanência da forragem em bons patamares produtivos. Cabe a nós, gestores do sistema, manejá-lo de maneira a atender essas duas premissas, garantindo o suprimento ao animal e mantendo a forragem com alta capacidade produtiva, evitando assim que o sistema entre em colapso, que no caso, resulta em baixa produtividade/ha e degradação das pastagens.

Dois fatores são determinantes na definição do sistema de pastejo: a freqüência de pastejo, que é determinada pelo período de ocupação e período de descanso, e a intensidade de uso, que é determinada pela pressão de pastejo. As diferentes combinações destes dois fatores definem o sistema de pastejo, que entre outros podem ser classificados como: contínuo (com carga fixa ou variada), diferido ou rotacionado. Várias pesquisas já foram feitas no sentido de comparar os vários sistemas existentes na busca de se definir qual deles seria o mais recomendado.

Os resultados são os mais variados e controversos. Observa-se que em sistemas muito intensivos, como o pastejo rotacionado com baixo período de ocupação, há um maior ganho por área e um menor ganho por animal, ao contrário dos sistemas menos intensivos onde os animais individualmente têm ganhos maiores, porém em decorrência de uma menor taxa de lotação verifica-se ganhos menores por área. O que pode ser notado nestes estudos é que, para qualquer sistema a ser adotado o importante é equilibrar a oferta de forragem com a quantidade de animais a serem alimentados.

Desse ponto de vista, o pastejo rotacionado confere maior possibilidade de intervenção do homem em alguns fatores importantes do sistema como: diminuição da seletividade do material consumido pelos animais, em função da diminuição da área de pastejo, pastejo uniforme de toda área, respeito ao período de descanso exigido pela forrageira utilizada, menor deslocamento dos animais em busca do alimento e, conseqüentemente, menor gasto de energia.

Antes de iniciarmos a implantação de um sistema rotacionado precisamos conhecer a espécie forrageira a ser utilizada, para então dimensionarmos o nosso projeto, respeitando a exigências produtivas dessa forrageira. Nesse momento é importante conhecermos: o período de descanso exigido pela planta, para definirmos então o período de descanso dos piquetes; qual a altura dos meristemas da planta (pontos de rebrota), para então definirmos a altura de pastejo e resíduo pós-pastejo; quais as exigências nutricionais da planta para definirmos então nosso plano de adubação.

Tomemos como exemplo uma área de 20 ha de pastagem da espécie Panicum maximum cv. Mombaça, a ser divida em piquetes para implantação de um sistema de pastejo rotacionado.

Como já foi dito, o primeiro passo para iniciarmos o dimensionamento do nosso projeto é conhecermos qual o período de descanso exigido pela forrageira. Esses dados podem ser facilmente obtidos na literatura especializada. Para o Mombaça o período de descanso recomendado é de 27 dias. Devemos definir também neste momento o período de ocupação de cada piquete. Nessa hora devemos levar em consideração que quanto mais intensivo o nível de exploração a ser adotado, menor o período de ocupação de cada piquete, maior a necessidade de número de piquetes e, conseqüentemente, maior o investimento com infra-estrutura, principalmente cercas. Recomenda-se períodos de ocupação inferiores a 2 dias somente em áreas pequenas e com alto nível de adubação de reposição, principalmente nitrogenada. Para os cálculos do nosso exemplo adotaremos um período de ocupação de 3 dias.

Conhecendo o período de descanso exigido pela forrageira e o período de ocupação de cada piquete, definimos a quantidade de piquetes a serem construídos. Esse número pode ser obtido pela seguinte fórmula:



Já sabemos então que nosso pastejo rotacionado, com uma área total de 20 ha, será composto por 10 piquetes, de aproximadamente 2 ha (ainda devemos descontar as metragens da área de descanso e corredores) que serão ocupados por 3 dias cada um. O próximo passo será definir a quantidade de animais que serão alocados nesta área. Para tal, precisamos estimar a quantidade de forragem produzida na área. Essa medida pode ser feita pelo corte e pesagem da forragem de uma área amostral conhecida e em seguida extrapolada para toda área. É importante que no momento da coleta da amostra a ser pesada, realize-se o corte da forragem “simulando” a altura do pastejo e já levando em conta o resíduo pós-pastejo que deve ficar na saída dos animais. Esse resíduo é que garantirá reservas para que a planta tenha uma boa taxa de fotossíntese após a retirada dos animais e, conseqüentemente, uma rebrota vigorosa, sem precisar utilizar reservas das raízes, atrasando assim seu crescimento e fazendo com que a altura de pastejo não esteja ideal quando os animais retornarem ao piquete. A estimativa de massa produzida ser feita com base na matéria seca, que também pode ser facilmente estimada com o auxilio de um forno de microondas e uma balança comum. Voltando ao nosso exemplo consideremos que o valor encontrado para produção forrageira no momento da amostragem foi de 1.530 kg de matéria seca por hectare.

Imaginando que trabalharemos com vacas de 500 kg de peso corporal, em média, teremos uma necessidade de ingestão de matéria seca de aproximadamente 12,50 kg/animal/dia, que representa aproximadamente 2,5% do peso vivo do animal. Dessa necessidade, 4,00 kg é suprido via concentrado fornecido no cocho, e os 8,50 kg restantes devem ser supridos pela pastagem. Como os animais ficarão 3 dias em um mesmo piquete, esse piquete deve ser capaz de fornecer 25,50 kg de matéria seca para cada animal durante o período de ocupação ( 3 dias x 8,5 kg por dia). Sabendo que a área de cada piquete é de 2 ha e que isso representa uma produção de matéria seca de 3.060 kg, ao dividi-la pela necessidade de cada animal para um período de 3 dias, que é de 25,5 kg, teremos então um total de 120 animais a serem alocados nesta área.

Sabendo a quantidade de animais a serem alocados, dimensionaremos o tamanho da área de descanso. É neste local que será servida a água e a suplementação mineral e/ou concentrada. A área de descanso ou de laser deve ser bem drenada, a fim de evitarmos formação excessiva de lama no período chuvoso, com localização centralizada de preferência e, ainda, conter sombra natural ou artificial para abrigar os animais. A medida recomendada de área de descanso para animais adultos é de 15 a 20 m2/animal. No nosso planejamento, consideraremos 15 m2/animal e, então, disponibilizaremos aos 120 animais uma área de descanso de 1.800 m2.

Os corredores de acesso à área de descanso devem ter uma largura de 10 m. É comum no momento da construção das cercas a tendência de redução desse espaçamento. No entanto, a experiência tem mostrado que corredores mais estreitos, no período chuvoso, acumulam muito barro, dificultando a locomoção dos animais, gerando problemas de casco e contaminação das tetas das vacas, o que pode ocasionar queda na qualidade do leite e até problemas de mastite. A área a ser ocupada com corredores vai depender da configuração do terreno.
O formato dos piquetes, localização da área de descanso e disposição dos corredores irão depender do formato do perímetro da área a ser rotacionada.

Devemos planejar os piquetes de maneira que estes fiquem com o formato quadrado ou o mais próximo possível desse formato. É bom que se evite a instalação de piquetes longos e estreitos, além de piquetes com cantos estreitos, pois estas situações levam os animais a desenvolverem um comportamento de pastejo indesejável que não irá promover o corte da pastagem por igual.
Imaginado que a área do nosso exemplo tenha forma bastante homogênea, teríamos a seguinte configuração.

Figura 1. Croqui ilustrativo do sistema proposto.



No entanto, em situações práticas dificilmente encontraremos um caso de regularidade de medidas como esta, o que não impossibilita a adoção de sistemas bem planejados e produtivos. Cabe ao técnico que esta desenvolvendo o projeto, com auxilio de ferramentas de desenho e criatividade, achar a melhor configuração para divisão da área.

Segue abaixo alguns exemplos de sistemas desenvolvidos pela Coan Consultoria e que foram bem sucedidos.

Figura 2. Sistema de pastejo rotacionado em área de medidas desuniformes.



Figura 3. Sistema de pastejo rotacionado em área de medidas desuniformes.



Definida as divisões a serem feitas, partimos para a construção propriamente dita do nosso sistema de pastejo rotacionado. A transferência do que foi projetado no papel para o campo deve ser feita por um profissional da área de topografia ou por quem tenha conhecimento neste assunto, para que as áreas cercadas correspondam fielmente às áreas projetadas.

A cerca elétrica é sem dúvida a maneira mais econômica de se dividir a área em piquetes e com eficiência comprovada. No momento da construção da cerca devemos nos atentar para escolha do eletrificador a ser utilizado, fazer os aterramentos de acordo com o recomendado, isolamentos em postes e colchetes devem receber cuidado especial, distribuir a eletricidade por ramais no sistema para facilitar eventuais manutenções, disponibilizar pára-raios ao longo das cercas, entre outros.

Segue uma estimativa de custo de implantação do projeto do nosso exemplo. Para efeito de cálculo consideramos que as lascas foram dispostas de dez em dez metros. A madeira utilizada foi a lasca de eucalipto com 8 cm de diâmetro e os esticadores com 15 cm de diâmetro. A cerca será construída com dois fios de arame. Para cálculo da mão de obra admite-se um custo de R$ 4,00 por lasca “fincada”. Chega-se à um custo total de R$ 12.039,91 para implantação da cercas elétricas, o que equivale a um custo de de R$ 2.668,00 por quilometro de cerca construída.

Tabela 1. Custo de implantação de cercas elétricas.



Finalmente, no caso do nosso exemplo, teremos um sistema de pastejo rotacionado em uma área de 20 ha de capim Mombaça, dividida em 10 piquetes que serão ocupados durante o período de 3 dias e permanecendo 27 dias em descanso. O número de vacas com peso médio de 500kg alocados no sistema é 120, o que nos dá uma taxa de lotação de 6,66 U.A/ha, que já se encontra bem acima da media nacional. Podemos intensificar ainda mais este sistema, sem alterarmos sua configuração, apenas aumentando o numero de animais alocados. Para tanto, basta trabalharmos com níveis mais elevados de adubação. Depois de instalado, o ritmo de exploração mais passa a ser ditado pelos níveis de adubação e logicamente, pela habilidade do manejador.

Octávio Ferreira da Rosa Filho é Engenheiro Agrônomo – Especialista em Produção Animal. Consultor MÁSTER da Coan Consultoria.

Rogério Marchiori Coan é Zootecnista – Doutor em Produção Animal – Diretor Técnico da Coan Consultoria.

 
 
 
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