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TERÇA | 11 DE MAIO DE 2010 | 16:16
Cana de açúcar corrigida com uréia e sulfato de amônio na alimentação de vacas em produção
 
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Ricardo Dias Signoretti
Coan Consultoria
ricardo@coanconsultoria.com.br
 

Um dos principais limitantes dos sistemas de produção de leite no Brasil é a estacionalidade de crescimento das forrageiras tropicais, que se caracterizam por apresentar elevada produção de matéria seca durante a estação chuvosa e quente do ano, reduzindo na estação fria e seca. Este fato limita o desempenho individual das vacas e a produção por unidade de área e, consequentemente, a rentabilidade do produtor de leite.

Uma das alternativas para minimizar esse problema refere-se à utilização da cana de açúcar que consiste em recurso forrageiro largamente empregado na alimentação dos rebanhos leiteiros, no Brasil Central, durante a estação fria e seca do ano. A cana de açúcar é uma forrageira com elevada capacidade de produção de matéria seca e com elevada concentração de carboidratos de rápida degradabilidade ruminal.

No entanto, sabe-se que para otimizarmos a produtividade de animais alimentados com dietas à base de cana de açúcar deverá ser estabelecida uma digestão ruminal estável, visando otimizar a eficiência do crescimento microbiano e maximizar a digestibilidade da fibra.

Entre os fatores mais importantes que influem no crescimento microbiano com dietas à base de cana de açúcar, a necessidade de nutrientes essenciais para os microrganismos ruminais (nitrogênio amoniacal, enxofre, ácidos graxos de cadeia ramificada, aminoácidos e peptídeos) merece destaque especial.

Dentro deste contexto, a maior limitação dessa forrageira ocorre no ponto de vista nutricional, principalmente pelo reduzido consumo de matéria seca dos animais devido aos baixos teores de proteína, elementos minerais (mais limitante o fósforo), outros compostos nitrogenados e a baixa digestibilidade dos componentes da parede celular.

Estas limitações inviabilizam o uso da cana de açúcar para a alimentação de ruminantes como alimento exclusivo, sem as devidas correções de suas carências nutricionais, principalmente o teor de proteína, conforme a categoria e o nível de produção animal.

Para formulação de dietas baseadas em cana de açúcar para bovinos leiteiros, deve-se estar atento a grande variação nos valores nutricionais das cultivares da forrageira quando se espera resultado em produção de leite (Tabela 1).

Embora seja consolidada a correção de uso com nitrogênio não protéico oriundo da uréia, as dietas baseadas em cana de açúcar precisam ser corrigidas com suplemento mineral de boa qualidade para serem utilizadas eficientemente na alimentação de bovinos leiteiros.

Essas correções, associadas com a utilização de variedades melhoradas de cana de açúcar, com altos teores de açúcar e baixos teores de fibra, proporcionam alto consumo do alimento e melhoram o desempenho produtivo do rebanho.

Como o açúcar da cana varia com a cultivar, ano de colheita, estágio de maturidade, entre outros, um método simples de se estimar o nível de uréia a ser adicionado na cana pela fórmula: uréia na cana de açúcar (g uréia/kg de cana in natura) = 0,6 Brix (94,8 - 1,12 Brix) / (100 - Brix). O nível de 1 % corresponde a 17° Brix.

Considerando a evolução no rendimento em açúcar das novas variedades de cana utilizadas pelas indústrias de açúcar, que estão disponíveis para uso pelos criadores de bovinos leiteiros, talvez hoje, a necessidade de adição de uréia seria, não menor, mas, maior que 1 %, isto é, 1,15 a 1,25 %. Se isto for passível de verificação, constituiria ferramenta economicamente benéfica aos produtores de leite.

Tabela 1 – Composição média e amplitude de variação em amostras de Cana de açúcar avaliadas no laboratório da ESALQ-USP



Neste sentido, os sistemas de nutrição e formulação de rações para ruminantes evoluíram do conceito de utilização da PB como referencial protéico para as adequações das rações em proteína degradável no rúmen (PDR) e em proteína metabolizável (PM).

O uso dessas ferramentas permite teoricamente, formular rações que supram as exigências da população microbiana em compostos nitrogenados (PDR) e as exigências do animal, em aminoácidos absorvíveis no intestino delgado (PM). Dessa maneira é possível melhorar a eficiência de utilização da proteína e diminuir a sua excreção para o ambiente.

Quando rações com cana de açúcar corrigidas com 1% de uréia ou da mistura uréia e sulfato de amônio (9:1) são avaliadas por meio do programa do NRC (2001), há indicação de excesso de PDR e deficiência de PM para vacas com produções diárias superiores a 10 kg de leite.

Caso as predições do NRC (2001) estejam corretas, a produção de leite será prejudicada, a demanda energética para a excreção do excesso de amônia será elevada e poderá haver prejuízos de ordem reprodutiva. Ademais, como demanda mais recente, o excesso de N liberado, poderá levar à contaminação ambiental.

Considerando o preço do quilo de proteína bruta da uréia em relação do farelo de soja ou de qualquer outro concentrado protéico de origem animal ou vegetal a relação será, por muito tempo ainda, favorável à uréia, mas devem-se adequar as rações em proteína degradável no rúmen (PDR) e em proteína metabolizável (PM) de acordo com as exigências dos animais.

Quando e quanto suplementar com concentrado os animais?

Na Tabela 2 encontra-se a simulação realizada verificado a necessidade de suplementação com concentrados na dieta de vacas leiteiras mestiças, com peso vivo médio de 550 kg, utilizado como volumoso cana de açúcar para atingir diferentes níveis de produção (NRC, 2001).

Tabela 2: Necessidade de suplementação da cana+ 1% (uréia/sulfato de amônio= 9/1) em vários níveis de produção



Observe que para que se possa obter 10 kg de leite por dia esta vaca precisa consumir 30 kg de cana + uréia, além de pelo menos 1 kg de farelo de algodão 28% e 1,5 kg de milho moído para atender suas exigências nutricionais.

A partir daí as quantidades de concentrados aumentam progressivamente, enquanto o consumo de cana diminui (efeito parcial de substituição) até os 20 litros, quando seria mais interessante utilizar alimentos mais "concentrados". Para todos os níveis de produção é recomendável a suplementação mineral adequada conforme os níveis de produção.

Vale ressaltar que para os produtores de leite conseguir reduzir os custos operacionais na nutrição de bovinos leiteiros, o mesmo deverá realizar a aquisição das matérias-primas em épocas do ano onde a oferta dos insumos é bastante alta, como por exemplo, no final do período das águas, para aquisição do milho e farelo de algodão 38 e meados de maio/abril, para polpa cítrica peletizada (safra da laranja).

Cuidados na utilização de cana uréia/sulfato

A mistura de uréia/sulfato (9 partes de uréia e 1 parte de sulfato de amônio) deve ser feita obedecendo corretamente às proporções, sendo posteriormente armazenadas em saco plástico, longe do alcance dos animais devido ao risco de intoxicação.

A quantidade a ser administrada deve ser diluída em água (500 g, período de adaptação e a 1000 g, da segunda semana em diante, para cada 4 litros de água) e espalhada, de forma homogênea, com o uso de um regador em cima de cada 100 kg de cana picada no dia, oferecida no cocho. É importante o acesso a água de qualidade e sal mineral ad libitum aos animais.

Porém, é preciso atenção para utilizar à dieta com uréia, devendo-se atentar para os seguintes cuidados:

  • Usar variedades de cana-de-açúcar produtivas, com altos teores de sacarose;

  • Após a colheita não estocar cana por mais de dois dias;

  • Efetuar a picagem da cana de açúcar no momento de fornecer aos animais;

  • Usar uréia mais fonte de enxofre nas dosagens recomendadas;

  • Período de adaptação: por uma semana deve-se usar somente metade da dose de uréia com sulfato de amônio na cana picada, isto permite que o rúmen do animal se adapte a nova dieta, evitando casos de toxidez;

  • Modelo de cocho: é preciso que haja boa drenagem para que não haja acúmulo de água, sob o risco de concentrar no “caldo” o teor de uréia e, se ingerido, provocar intoxicações que podem até mesmo culminar com a morte do animal. Nesse sentido, cochos cobertos são mais apropriados.

  • Homogeneidade da mistura: uma boa mistura evita riscos de consumo excessivo da uréia, prevenindo eventuais intoxicações;

  • Eliminar sobras de forragem do dia anterior;

  • Manter água e sal mineral à disposição dos animais;

  • Fornecer os alimentos concentrados em função do nível de produção animal desejados.

    Diante do exposto, levando-se em consideração as exigências nutricionais dos animais no que diz respeito a energia, proteína, minerais e vitaminas para as diferentes funções, e a disponibilidade e valor nutritivo da cana de açúcar (energia, proteína, FDA, FDN, minerais e vitaminas, bem como o consumo e digestibilidade da matéria seca), pode-se estabelecer com grande precisão a necessidade ou não de suplementações alimentares para alcançar alta produtividade, assim como definir qual o nutriente que realmente está limitando a produção e merece ser fornecido, de modo a obter bom desempenho animal, mantendo o custo de produção em níveis compatíveis com a realidade econômica.
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