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Critérios para o planejamento da suplementação de bovinos em pastagens

A determinação das alterações da produção e qualidade da forragem são fatores de extrema importância para o planejamento de sistemas de produção baseados na suplementação de bovinos em pastagens, com vistas a otimizar a utilização da forragem disponível na pastagem e de forma a incrementar os níveis de produção animal (ganho de peso). Assim, o monitoramento das condições da pastagem, em termos de qualidade e disponibilidade, é necessário, de forma a possibilitar o sucesso da técnica de suplementação. Sendo assim, primeiramente, deve-se definir as prioridades inerentes à prática de suplementação, tendo em vista as seguintes variáveis:

- Objetivos da suplementação;
- Relação custo /benefício;
- Período (época do ano);
- Duração da suplementação;
- Número e categoria animal;
- Cotação do preço dos insumos;
- Verificação das condições de armazenamento; e
- Adequação da estrutura da propriedade à prática de suplementação.

1. Objetivos

A definição dos objetivos é o primeiro passo para o sucesso da suplementação, uma vez que ela determina as demais prioridades. Como exemplo, pode-se citar como objetivos, promover a manutenção da condição corporal, ganhos de peso moderados (abaixo de 0,500 kg/dia) ou expressivos (0,600 a 1,00 kg/dia), entre outros.

2. Relação Benefício / Custo

Uma vez definido o objetivo da suplementação, deve-se realizar o estudo de viabilidade econômica da adoção dessa tecnologia, que pode ser expressa pela relação benefício/custo. Como exemplo, pode-se considerar a suplementação de novilhos destinados ao abate. Nessas circunstâncias, deve-se avaliar o diferencial no ganho de peso, associado à época e preço de venda, bem como o custo da suplementação no período. Para essa condição específica, além de maior velocidade no giro de capital, a suplementação pode permitir um saldo positivo e/ou retorno econômico do capital investido na tecnologia, além de permitir um maior estoque de arrobas ao final do período.

3. Período (Época do Ano)

O período refere-se à época do ano (águas ou seca), na qual os animais deverão ser suplementados. Esse fator é de grande importância, pois é em função do período que serão definidas as características do suplemento (teores de proteína, energia, proteína degradável, entre outros) a ser utilizado, uma vez que ocorre mudança brusca na disponibilidade e valor nutritivo das plantas forrageiras com o avanço da maturação fisiológica e do período seco do ano, como demonstrado pelas Figuras 1 e 2.



4. Duração da Suplementação

A duração da suplementação estará vinculada ao período de tempo de sua execução que, juntamente com a definição da categoria animal, serão a base do planejamento de compra do suplemento ou dos insumos que compõem este último. O número de animais por lote deve ser compatível com a capacidade de distribuição do suplemento, uma vez que, em lotes grandes, a demora no fornecimento do suplemento pode acarretar disputas para o acesso ao cocho. Além disso, é importante considerar a taxa de lotação animal praticada, uma vez que a forragem disponível é um dos grandes determinantes do sucesso ou fracasso na prática de suplementação.

5. Cotação de Preços de Insumos

As cotações dos preços dos insumos deverão ser realizadas na época de produção do alimento a ser adquirido, como por exemplo, o milho, durante a safra. Os alimentos destinados à suplementação, sendo principalmente energéticos e/ou protéicos, deverão ser adquiridos em função do valor da unidade energética e/ou protéica.

Como exemplo, podem-se citar dois alimentos proteicos: o farelo de soja, que contém 46,0% de Proteína Bruta (PB); 89,0% de Matéria Seca (MS) e tem o preço de R$ 1.080,00/tonelada e o farelo de algodão, com 38,0 % de PB e 89,0% de MS, ao preço de R$ 785,00/tonelada. Como os dois produtos apresentam o mesmo teor de matéria seca, se for dividido o preço pago por tonelada pelo teor protéico para os dois alimentos, o preço por unidade de PB será de R$ 20,65 para o farelo de algodão e de R$ 23,47 para o farelo de soja.

Diante do exposto, aparentemente deve-se optar pela compra do farelo de algodão, devido ao menor preço por “ponto de proteína bruta”, se for considerado somente o fator proteína como item de compra. Contudo, não se pode ignorar as características nutricionais de cada alimento
(ex: % MS, % PB, % NDT, % PDR, entre outros) e suas limitações de uso, justificando assim a consulta de um nutricionista animal.

6. Verificação das Condições de Armazenamento

Os alimentos deverão ser devidamente armazenados, em locais bem ventilados, protegidos da chuva e sol, bem como, periodicamente, monitorados para verificar a presença de pragas e fungos, que devem ser evitados e controlados.

7. Adequação da Estrutura da Propriedade à Prática de Suplementação

As instalações a serem utilizadas devem ser de baixo custo, simples, práticas e funcionais, de modo a facilitar o manejo dos animais, o abastecimento dos cochos e limpeza dos mesmos. O uso de instalações de custo elevado acaba por diminuir a lucratividade da atividade e aumentar o tempo de retorno do capital investido, uma vez que todo investimento deverá ser amortizado em um período pré-definido de vida útil.

Vale ressaltar, que as instalações existentes na propriedade deverão e poderão ser utilizadas, desde que sejam revisadas e adequadas, de forma a apresentar condições para a aplicabilidade da técnica de suplementação. Isso envolve cochos de sal mineral, cochos de suplementação, bebedouros/aguadas, trator com carreta e demais equipamentos que poderão ser necessários.

Por fim, além das variáveis expostas e discutidas no texto, deve-se considerar que para um programa sustentável de suplementação de bovinos em pastagens, a adequação do tipo de suplemento (energético, proteico, proteico-energético) ao sistema de produção é de fundamental importância para se conseguir a otimização produtiva e econômica na atividade pecuária, demandando, para tanto, a consulta de um profissional especializado.

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