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Interação Pasto x Suplemento

Por Rogério Marchiori Coan

A principal interação que ocorre, quando suplementos são fornecidos para animais mantidos em pastagens é a do efeito associativo que, conceitualmente, é definido como a mudança ocorrida na digestibilidade e/ou no consumo da dieta basal (forragem). O efeito associativo pode ser de três tipos: substitutivo, aditivo ou suplementar e combinado.

O efeito substitutivo é caracterizado pela diminuição do consumo de energia digestível oriunda da forragem, enquanto se observa aumento no consumo do suplemento. Assim, mantém-se constante o consumo total de energia digestível (CTED), indicando que a ingestão do suplemento substituiu a do pasto (Figura 1).

O efeito aditivo ou suplementar refere-se ao aumento do consumo total de energia digestível (CTED) devido ao incremento no consumo do suplemento, podendo o consumo de forragem permanecer o mesmo ou aumentar (Figura 1).



Figura 1. Representação dos tipos de efeito associativo (Adaptado de Moore, 1980).

No efeito combinado, observam-se ambos os efeitos, substitutivo e aditivo, ou seja, há decréscimo no consumo de forragem e, ao mesmo tempo, elevação no consumo do suplemento, o que resulta em maior CTED (Figura 1). Quando ocorre o efeito substitutivo, a redução do consumo de forragem é expressa como uma proporção da quantidade do suplemento consumido. Assim, o coeficiente de substituição pode ser expresso pela seguinte equação:



Há que se considerar que, quanto melhor for a qualidade da forragem, maior será o coeficiente de substituição pelo suplemento. Nessa situação, o coeficiente de substituição pode refletir a manutenção de um consumo de energia constante ou a diminuição da digestão da fibra, o que pode acarretar decréscimo no consumo de forragem em decorrência da diminuição da taxa de passagem.

A suplementação energética pode não afetar ou reduzir o consumo e a digestibilidade da forragem, dependendo da quantidade de suplemento consumido e da oferta de pasto. Geralmente, quando a quantidade de suplemento energético consumido é inferior a 2 g/kg de peso corporal, o consumo de forragem não é afetado.

De maneira geral, ressalta-se que em todo programa de suplementação, o objetivo básico é o de suplementar a dieta e não substituir a forragem pelo suplemento. Embora a substituição possa ser útil, quando o suprimento de forragem é limitado, pode ocorrer diminuição na sua ingestão. Com forragem de alta qualidade, a suplementação muitas vezes aumenta o desempenho animal, embora a maior ingestão dos alimentos concentrados suplementares, em substituição à forragem, possa incorrer, em algumas situações, no menor retorno econômico do investimento.

Em diversos experimentos de animais em pastejo, recebendo diferentes tipos de suplementos, os autores observaram-se valores de coeficientes de substituição variando de 0,25 a 1,67, com a média de 0,69; indicando que o aumento no consumo e na produção é somente 1/3 do valor esperado. O coeficiente de substituição varia com o tipo de suplemento, a época de fornecimento, a disponibilidade de forragem e a qualidade dessa forragem, mas não é afetado pela espécie de ruminante ou pelo sistema de produção como um todo.

Por fim, além das variáveis expostas no texto, deve-se considerar que para um programa sustentável e efetivo de suplementação de bovinos em pastagens, a adequação do tipo de suplemento (energético, proteico ou proteico-energético) ao sistema de produção é de fundamental importância para se conseguir a otimização produtiva e econômica na atividade pecuária, demandando, para tanto, a consulta à um nutricionista animal.



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