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Qualidade da Água x Consumo de Suplementos

Por Rogério Marchiori Coan

Com certa frequência somos questionados sobre o consumo dos suplementos que são fornecidos para as diferentes categorias de bovinos de corte mantidos em pastagens. Não é difícil nos deparamos com situações onde, aparentemente tudo, encontra-se dentro dos preceitos técnicos, como: disponibilidade de linha de cocho, posicionamento de cocho, frequência de fornecimento, horário de fornecimento, níveis nutricionais e, mesmo assim, o consumo do suplemento encontra-se abaixo da meta estipulada (g/cab./dia ou % do peso corporal), principalmente quando se leva em consideração a qualidade do pasto ingerido.

Nestas circunstâncias somos estimulados, em um primeiro momento, a rever o nível de inclusão do cloreto de sódio (NaCl) na formulação do suplemento e, em alguns casos, da dose do aditivo modulador de consumo. Na maioria das vezes tais quesitos não respondem pelo baixo consumo, haja visto que os “formuladores” levam em consideração os parâmetros nutricionais ideais para otimizar o consumo do suplemento.

Se a situação descrita acima lembra em particular o que você esta presenciando na sua propriedade, está na hora de conhecer um pouco mais sobre um nutriente muito pouco falado e, às vezes, esquecido: A ÁGUA.

A água é considerada solvente universal e, juntamente com o CO2 presente na atmosfera, forma o acido carbônico, que no solo promoverá a dissolução dos sais inorgânicos existentes (cálcio, sódio, magnésio, sulfatos e bicarbonatos), originando uma característica dita “salinidade”. A salinidade é expressa como sólidos totais dissolvidos (STD) e representa a somatória dos sais mencionados anteriormente, estando este fator relacionado, em muitas situações, com o baixo consumo dos suplementos.

A tabela 1 descreve os limites de STD (expressa em ppm) na água de bebida para nutrição animal e suas implicações.

Tabela 1. Limites de sólidos totais dissolvidos na água de bebida.



Adaptado de Livestock Water Quality – G79 / 467- A, University NebrasKa – Lincoln.

A água também pode ser classificada quanto a sua “dureza”, que representa a somatória de cálcio e magnésio dissolvidos. É comum em algumas regiões do Brasil, como o Pantanal Brasileiro, encontrarmos encanamentos com crostas brancas em seu interior, evidenciando a presença de cálcio. Outra situação que caracteriza a dureza da água é quando verificamos a presença de bolhas de sabão ao lavar as mãos, difícil de se observar devido a baixa eficiência dos sabões e solventes nestas condições (o cálcio e magnésio reagem com a gordura, refazendo sua saturação), ficando a sensação de estar “engordurado”. A Tabela 2 demonstra a classificação da água quanto à dureza.

Tabela 2. Classificação da água de bebida quanto à dureza.



Tanto os sólidos totais dissolvidos (STD) quanto a dureza da água, são os fatores que mais prejudicam a ingestão de um suplemento. Ao constatar este tipo problema, as soluções passam pela redução do nível de inclusão de cloreto de sódio na mistura, dos teores de enxofre e magnésio e, principalmente, pela necessidade de uso de palatabilizantes como melaço em pó (2,5 a 5,0% da mistura) ou produtos sintéticos com aromas cítricos (caso de suplementos minerais), aromas de baunilha ou leite (suplementos proteicos e proteico energéticos) e até a combinação de farelos e palatabilizantes.

Nos casos severos (STD > 7.000 ppm) o uso de água de chuva armazenada ou mesmo elementos filtrantes passa a ser uma exigência, pois o que esta em risco é a sanidade dos animais e não somente o consumo do suplemento.

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