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Viabilidade do Confinamento em 2017 (Análise 2º Giro)

Por Rogério Marchiori Coan

O segundo giro do confinamento de 2017 começa a ter início em cenário bastante desafiador para o pecuarista. De um lado, temos a indústria frigorífica, que aproveita as notícias e nuances do mercado para pressionar a remuneração da arroba para patamares ainda mais baixos. Tudo bem que estamos em safra e a oferta de bois terminados em confinamento e a daqueles terminados a pasto aumentou nos últimos dias, mas nada que justifique tamanha manobra no mercado.

Do outro lado da cadeia produtiva, vem o pecuarista, que convive com um mercado até ofertado de animais de reposição e de insumos, mas que parece não ter uma real definição do que fazer – e como fazer – para viabilizar as operações de confinamento na maioria das praças pecuárias brasileiras. As indefinições ocorrem diante do baixo consumo interno de carne bovina; baixa remuneração da arroba no mercado físico; ausência de contratos de boi a termo; e da falta de liquidez de algumas operações na BM&F para minimizar a exposição aos riscos de preço.

Já vimos algo parecido em 2016, quando as tormentas de mercado pareciam dificultar o plano de voo dos mais experientes “pilotos” da pecuária. Para o confinador, em 2017, a dúvida que surge é se o confinamento terá viabilidade econômica neste segundo giro, haja vista que, no primeiro giro, a operação deixou, para muitos, margens bem sofridas, para não dizer negativas, principalmente para quem não tinha estoque de passagem de insumos de 2016 para 2017 e fez uma reposição mais cara na recria em 2016.

De toda forma, para responder a essa pergunta, simularemos os custos e resultados do confinamento nos diferentes Estados já tradicionais na operação de confinamento: São Paulo (SP), Minas Gerais (MG), Mato Grosso do Sul (MS), Mato Grosso (MT), Goiás (GO) e também naqueles onde a tecnologia se encontra em expansão, como Tocantins e Pará.

Para o boi magro (360 kg – 12@), a cotação da Coan Consultoria na data de hoje (17/7/2017) indicou que essa categoria animal até que está valorizada (média de 15,03% de ágio sobre a arroba do boi gordo) nas praças pecuárias pesquisadas, conforme demonstrado na Tabela 1.

Tabela 1. Preço do boi magro, do boi gordo à vista e ágio por arroba de boi magro nos diferentes Estados.



O custo de operacionalização (depreciações, manuseio e distribuição da dieta) foi estimado em R$1,37/cabeça/dia para todos os Estados, tendo como referência a base de dados da Coan Consultoria para o ano de 2017.

Quanto ao plano nutricional, procurou-se simular as dietas com maior eficiência produtiva e econômica, utilizando-se, para tanto, do software LRNS (Large Ruminant Nutrition System).

Os animais considerados no cálculo são da raça Nelore, com peso inicial de 360 kg (12@), peso final de 544 kg (20,16 @ /Rendimento de Carcaça = 55,60%), tamanho corporal médio, machos não castrados, ganho de peso estimado de 1,62 kg/dia, ganho de carcaça de 1,078 kg/dia e 8,16 arrobas colocadas no período (114 dias). A ingestão de matéria seca (IMS) média foi estimada em 10,72 kg/cab/dia, implicando em uma eficiência biológica de 139,52 kg de MS/@ colocada.

Os insumos utilizados nas simulações foram a silagem de milho, milho moído, polpa cítrica peletizada (SP e MG), farelo de soja, caroço de algodão e núcleo mineral com aditivos e vitaminas. As cotações dos insumos, de acordo com o plano nutricional “desenhado”, posicionaram os custos de matéria seca das dietas em patamares bastante competitivos quando comparado com os dados de 2016, haja vista que muitos insumos se encontram com baixa precificação, em decorrência da segunda safra de grãos. A Tabela 2 demonstra os custos de matéria seca (R$/kg) das dietas e da diária alimentar (R$/cab/dia) para os diferentes Estados.

Tabela 2. Custo (R$/kg de MS) das dietas e diárias alimentares (R$/cab/dia) para os diferentes Estados.



O protocolo sanitário considerou a aplicação de endectocida de largo espectro, vacina contra Clostridioses e DRB (Doença Respiratória Bovina) e ectoparasiticida, totalizado o custo por animal em R$8,08.

Com as informações descritas acima, realizamos os cálculos de custos da arroba produzida e da arroba engordada, conforme demonstrado na Figura 3.



Para o cálculo do lucro operacional (R$/cab/período) consideramos o custo alimentar, o preço do boi magro, o custo do protocolo sanitário e o custo de operacionalização durante os 116 dias de operação. Para a remuneração da arroba, consideramos diferentes cenários, partindo de uma remuneração mínima de R$115,00/@ e máxima de R$135,00/@, com variação de R$5,00/@. Nas Tabelas 3 e 4, podem-se visualizar a estimativa do lucro operacional (R$/cab/período) e a rentabilidade (%/cab/período) na operação de confinamento.

Tabela 3. Lucro operacional (R$/cab/período) por Estado.



Tabela 4. Rentabilidade operacional (%/cab/período) por Estado.



As informações descritas acima (Tabelas 3 e 4) deixam claro que a atividade de confinamento não se posiciona muito atrativa neste segundo giro, principalmente para quem opera no modelo de “confinamento negócio”, em que a compra de boi magro e de insumos é o principal entrave para viabilizar economicamente a operação de confinamento.

Para o pecuarista que usa o confinamento como estratégia, o cenário é um pouco diferente, pois os custos de recria a pasto são mais competitivos, e dificilmente os bois magros produzidos nesse sistema chegam ao confinamento (12 a 14@) tão precificados, ou seja, é natural que, nos sistemas de recria/engorda ou ciclo completo, o boi magro tenha um custo menor de produção do que o daquele que foi adquirido para a operação.

Outro aspecto relevante desse sistema é que há maior previsibilidade quanto ao número de animais a serem confinados, data de abate e demanda de insumos (grãos), o que permite à essa modalidade de confinamento o uso de ferramentas de gestão de preços, como algumas oportunidades de negócio oferecidas pela BM&F/Bovespa, visando negociar contratos ou opções.

Por fim, o confinamento estratégico, invariavelmente, deixa boas margens ao pecuarista, diferentemente da outra modalidade em que confinar por confinar parece não ser a melhor estratégia em um ano tão conturbado como este, quando o que é ruim parece sempre querer piorar.

E você pecuarista, já fez as contas para viabilizar o confinamento em 2017?

Rogério Marchiori Coan é zootecnista e Diretor Técnico da Coan Consultoria. E-mail: rogerio@coanconsultoria.com.br

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