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Como Manejar as Pastagens para o Início das Águas?

Por Rogério Marchiori Coan

O Brasil possui um enorme potencial para produção de bovinos em pastagens, uma vez que apresenta condições climáticas favoráveis (temperatura, precipitação e luminosidade), quando comparado a outros países. No entanto, ressalta-se que este potencial é pouco aproveitado, em virtude da falta de critério técnico dos pecuaristas em manejar racionalmente as áreas de pastagens, nas diferentes estações do ano (primavera-verão-outono-inverno) e também por não executarem a reposição dos nutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S, etc.) extraídos pelo pastejo dos animais.

Durante a seca (inverno), a adequação criteriosa da capacidade de suporte (taxa de lotação animal e pressão de pastejo) é imprescindível, pois neste período ocorre o desenvolvimento do caule da planta, que deverá ser eliminado pelo pastoreio dos animais. Vale lembrar, que a utilização de diferentes categorias animais como ferramenta para o correto manejo da pastagem é de extrema importância para diminuir as perdas decorrentes da seletividade e do acamamento.

Animais mais jovens são mais seletivos, o que não acarretará um rebaixamento uniforme da pastagem, portanto, o manejo adotado em sistema rotacionado deve fazer uso de duas categorias animais, dispondo os animais mais jovens ao primeiro pastejo e os animais adultos, que possuem um hábito de pastejo com bocados menos seletivos e mais homogêneos quanto a sua altura de corte, no segundo pastejo.

Adequando esse manejo, evita-se desperdícios com operações de roçada mecânica, pois este procedimento implica em um elevado custo operacional. Quando há necessidade de utilização desta operação no final das chuvas, é sinal que o manejo da pastagem foi mal feito, pois se respeitarmos a fisiologia das plantas e buscarmos uma pressão de pastejo ótima, poderá ser evitado o desenvolvimento de hastes, eliminando a operação de roçada mecânica.

A roçada mecânica somente deverá ser efetuada em condições de erro de manejo e/ou onde a constituição botânica (relação caule/folha elevada) não for ideal. Como exemplo, em espécies do gênero Panicum (Colonião, Tanzânia, Mombaça e Zuri) que possuem hábito de crescimento cespitoso, o elevado alongamento dos caules pode prejudicar a rebrota no período subsequente, justificando assim, o uso da roçada mecânica.

Já em sistemas que adotam o pastejo contínuo, a recomendação é que o produtor ajuste a taxa de lotação à disponibilidade de forragem, ou seja, em função da oferta de forragem (quantidade de massa disponível) é que será calculado o número de animais que deverá permanecer por determinado tempo na área, até se obter uma maior taxa de acúmulo de forragem. Partindo deste princípio, há então a necessidade de se aumentar a taxa de lotação no período das águas gradativamente, até que se atinja o ponto ótimo de produção. Assim, pretende-se fechar um ciclo anual de produção com bons resultados.

Esta filosofia teoricamente é perfeita, se não incorresse em falta de alimento no período seguinte (seca), além do fato de muitos produtores não vislumbrarem a boa oportunidade de mercado na entressafra, deixando de aproveitar esta circunstância para complementar sua receita com a comercialização de animais.Isso também ocorre em propriedades que adotam o sistema de pastejo rotacionado, visto que o manejo se torna mais fácil e programável, desde que o produtor utilize tecnologias específicas para diminuir o problema da estacionalidade de produção forrageira.

As ferramentas que podem ser adotadas tanto em sistemas extensivos quanto intensivos, seriam: o ajuste da lotação animal por área, diferimento da pastagem (vedação ou reserva do pasto no final das águas), utilização de silagens (milho, sorgo, capim, etc.), uso da cana-de-açúcar e fenação. A intensificação do sistema de produção é um fator que exige maior atenção quanto à questão econômica. Neste caso, é interessante o acompanhamento de um técnico para análise de sua viabilidade, elaboração e planejamento dos processos a serem adotados no sistema ao longo do ciclo de produção.

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